A Importância da Fluência de Leitura nas Escolas Brasileiras: Por que Precisamos Focar Nisso Desde o Início?

A Importância da Fluência de Leitura nas Escolas Brasileiras: Por que Precisamos Focar Nisso Desde o Início?

Introdução

Você sabe qual é a coisa que a maioria das escolas do Brasil esquece de fazer nos anos iniciais do ensino fundamental e que, se fizesse, as crianças teriam resultados imensamente melhores em língua portuguesa? A resposta encontra-se no estímulo da fluência de leitura.

A Olimpíada Internacional de Leitura Estimulou a Leitura nos Alunos

No ano passado, realizamos a Olimpíada Internacional de Leitura (OIL), uma iniciativa que contou com mais de 150 escolas e 23 mil alunos participantes. O objetivo principal dessa Olimpíada foi avaliar e estimular a fluência e compreensão de leitura, algo que, infelizmente, é muito pouco trabalhado no Brasil.

A OIL Levou a Prática Sistemática de Leitura para dentro das Escolas

Aqui, os cursos de pedagogia não trazem essa ênfase e poucas escolas pioneiras já trabalham a fluência de leitura de forma sistemática. Na Olimpíada, buscamos trazer isso para o dia a dia das escolas, tanto públicas quanto privadas, para avaliar o impacto no engajamento e no aprendizado das crianças.

Resultado da Olímpiada: Melhora Considerável na Compreensão de Textos

Embora ainda não tenhamos divulgado oficialmente os resultados da Olimpíada, estive estudando os dados coletados nas últimas semanas e encontramos coisas muito animadoras. Trabalhar a velocidade, precisão e entonação ou prosódia (expressividade) da leitura das crianças tem um impacto significativo na compreensão de textos.

Entender os textos, sejam literários, didáticos ou de qualquer gênero textual, é essencial para que a criança aprenda não só o conteúdo de língua portuguesa, mas todos os tópicos presentes na Base Nacional Comum Curricular (BNCC).

Dica para a Fluência de Leitura das Crianças

Se você ainda não pratica a fluência de forma sistemática, aqui vai uma dica: é importante exercitá-la diariamente, mas em doses pequenas. Pesquisas experimentais mostram que o melhor trabalho de fluência é constante e em curtos períodos de tempo. Não é necessário dedicar horas e horas todos os dias; apenas 15 a 20 minutos diários podem fazer uma grande diferença.

Conclusão

Ao estimular a fluência, seus estudantes vão ler mais rápido, com maior precisão e entender melhor os textos. Eles serão capazes de lidar com textos mais longos e ter uma habilidade de leitura muito maior do que tinham antes.

Em breve, divulgaremos os resultados da Olimpíada, e você verá o quanto esse exercício com fluência pode fortalecer o aprendizado das crianças. Mas não espere por nós; comece a estimular as professoras a trabalharem a fluência com base em evidências e de forma sistemática desde já.

Se gostou deste conteúdo, deixe um like, compartilhe suas dúvidas e comentários sobre fluência de leitura, e nos encontraremos no próximo artigo e vídeo. Não se esqueça de baixar nosso eBook “Consciência Fonológica na Educação Infantil e nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental” em escribo.com/ebook. Até a próxima!

Planejamento Pedagógico: Como Planejar Bem para uma Boa Aprendizagem

Planejamento Pedagógico: Como Planejar Bem para uma Boa Aprendizagem

Neste blog post, vamos abordar as três etapas essenciais para um planejamento pedagógico eficaz, visando proporcionar uma ótima experiência de aprendizado e evitar dores de cabeça ao longo do ano letivo.

1. Definindo Objetivos Estratégicos

O primeiro passo em um bom planejamento pedagógico é a definição clara de onde queremos chegar. Isso significa estabelecer objetivos estratégicos e metas de aprendizagem para nossas crianças. Esses objetivos devem ser adaptados para cada faixa etária, ou seja, para crianças de três anos na educação infantil, crianças de quatro anos, cinco anos, e assim por diante.

Por exemplo, com crianças de três anos, é crucial que elas reconheçam todas as formas geométricas. Para crianças de cinco anos, é importante que compreendam a relação entre número e quantidade, além de avançar no processo de letramento e alfabetização. Sua escola deve estabelecer metas específicas para cada faixa etária.

2. Especificação dos Objetivos da BNCC

Além de definir os objetivos gerais, é fundamental operacionalizar os objetivos da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) que se relacionam com os grandes objetivos que você estabeleceu. A BNCC é ampla e precisa ser detalhada para se adequar às faixas etárias, como crianças de dois e três anos, quatro e cinco anos, etc.

Por exemplo, a BNCC pode mencionar que as crianças devem reconhecer formas geométricas nos objetos do cotidiano. Aqui, é necessário definir quais formas geométricas, em quais objetos e em que momentos do ano letivo isso será abordado. A especificação é essencial para o planejamento detalhado.

3. Organização do Calendário de Trabalho

Com os objetivos definidos e especificados, é hora de organizar o calendário de trabalho. Considere que o ano letivo tem um número limitado de semanas, e é preciso distribuir os objetivos de aprendizagem ao longo desse período.

Lembre-se de que não se deve dedicar uma semana inteira a um único objetivo, pois a pesquisa em psicologia cognitiva e neurociência mostra que é mais eficaz trabalhar dois ou três objetivos em paralelo para uma aprendizagem mais eficaz. Portanto, defina um objetivo principal para cada semana e inclua revisões dos objetivos trabalhados nas semanas anteriores.

Utilize uma variedade de métodos, como brincadeiras, jogos, fichas didáticas e livros didáticos, para revisar e consolidar o aprendizado. O aprendizado em espiral, que envolve a prática contínua de habilidades ao longo do tempo, é fundamental para a retenção a longo prazo.

Em resumo, o planejamento pedagógico eficaz envolve definir objetivos estratégicos, especificar os objetivos da BNCC e organizar um calendário de trabalho que promova uma aprendizagem significativa ao longo do ano letivo. Com essas etapas bem estruturadas, você estará preparado para proporcionar uma educação de qualidade às crianças, reduzindo as dores de cabeça durante o processo. Se você gostou deste conteúdo, não se esqueça de curtir, compartilhar e comentar suas experiências e práticas bem-sucedidas. Vamos juntos fortalecer a educação em nosso país. Até a próxima!

 

5 avanços da Política Nacional de Alfabetização

5 avanços da Política Nacional de Alfabetização

Olá! Tudo bem? Temos uma ótima notícia. Instituída na última quinta-feira (11), a Política Nacional de Alfabetização (PNA) vem com a proposta de combater os índices de analfabetismo no Brasil – tanto para quem não saber ler nem escrever (absoluto) quanto para quem tem baixa capacidade de leitura e compreensão (funcional). Segundo dados da Prova Brasil, 66% dos alunos brasileiros terminam o ensino fundamental sem o aprendizado mínimo desejado para a Língua Portuguesa. Nesse contexto, listamos cinco grandes avanços do documento – e outros dois que merecem a nossa atenção.

1. Incentivo ao uso de evidências científicas

A PNA deixa muito claro, já no primeiro artigo, que vem para melhorar o aprendizado de leitura e escrita com base em evidências científicas, assim teremos projetos que valorizem as descobertas feitas através de pesquisas. Poderemos criar estratégias que otimizem os recursos para alfabetização e tragam resultados mais efetivos para o aprendizado das crianças, como ressaltado pela especialista em políticas educacionais Ilona Becskehazy.

2. Escolas são livres para se adequar à PNA

A PNA institui que não é obrigatória: os municípios e demais entes governamentais poderão aderir à política se julgarem que os programas e projetos serão benéficos para suas escolas e estudantes.

3. Liberdade para escolher o método de alfabetização

Outro ponto positivo é que o documento não impõe que as escolas adotem um método de ensino específico. Pelo contrário, ela valoriza os vários métodos e indica os principais tópicos que devem ser trabalhados através deles para fortalecer o aprendizado das crianças. É uma maneira de respeitar a proposta pedagógica de cada rede escolar.

4. Abordagens reconhecidas no mundo todo

A Política Nacional de Alfabetização dá ênfase a seis tópicos essenciais para a alfabetização: consciência fonêmica; instrução fônica sistemática; fluência em leitura oral; desenvolvimento de vocabulário; compreensão de textos e produção de escrita. Com reconhecimento no mundo inteiro, os componentes trazem consensos científicos atuais sobre as melhores práticas educacionais para se aprender a ler e escrever desde a educação infantil.

5. Metas e avaliações de aprendizagem serão a regra

Em relação à implementação da PNA, os projetos que serão apoiados por ela terão metas claras de aprendizagem, o que é muito importante para que sejam efetivos. Ela também vai privilegiar o desenvolvimento e o uso de instrumentos de avaliação para acompanharmos a evolução dos alunos e se eles estão caminhando para atingir os objetivos.

O que vem por aí

Conforme notado pela educadora Claudia Costin, não existem menções direta à Base Nacional Comum Curricular (BNCC) no documento. Na visão de Ilona, o detalhamento dos objetivos de aprendizagem e demais detalhes da política ainda serão divulgados e devem contemplar a Base.

A política também define o uso de materiais didáticos de forma ampla, e nos próximos documentos serão especificados tanto os mais tradicionais, como livros e jogos tangíveis, como o uso de tecnologia (jogos digitais, por exemplo). Esses materiais digitais deverão estar aprovados pelo Guia de Tecnologias Educacionais, lançado pelo Ministério da Educação em 2018.

A Política Nacional de Alfabetização é o primeiro passo para fortalecer o aprendizado de leitura e escrita. Agora, é preciso que a sociedade – escolas, cientistas e empreendedores – se mobilize para desenvolver, implementar e avaliar projetos que sejam efetivos para as crianças. É hora de executar.

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