4 razões para ensinar e aprender por meio da arte

Do que você se lembra quando te perguntam sobre a época da escola?

De questões de provas? Lições de casa? De acordo com a educadora Mariale Hardiman, com certeza não.

Ela defende que o que realmente marca nossa memória escolar são as horas lúdicas, onde aprendíamos através de música, arte e paródias.

Todo mundo tinha aquele professor que levava um violão para a sala de aula, criando paródias com os conteúdos, ou aquela “tia” que nos pedia para criar histórias divertidas sobre o que aprendemos, ou dava aquela dica de memorização inesquecível em forma de poesia ou rima.

Segundo Mariale, a importância de aprender pela arte de forma visual e performática é vista quando a integramos à outras matérias, pois a abordagem lúdica e desafiadora torna o aprendizado mais relevante para o jovem.

Para provar seu ponto, ela resolveu fazer uma pesquisa com uma equipe de alunos da universidade onde é reitora, a Johns Hopkins University School of Education. O estudo consistia numa seleção de 20 turmas da quinta série, divididas em dois estudos:

“Dividimos as vinte turmas em duas partes, uma seria designada à aprender ciências de forma integrada com a arte, e outra para aprender de forma convencional e tradicional. Ambas aprenderiam o mesmo conteúdo e fariam as mesmas avaliações finais, além de terem a mesma quantidade de horas para cada aula/atividade.”

O resultado foi exatamente o que Mariale e sua equipe esperavam: os alunos que mais memorizaram o conteúdo (principalmente os que tinham dificuldades com leitura e interpretação) foram os que estavam na parte da turma que aprendeu ciências integrada à arte (confira aqui a pesquisa, em inglês).

A partir destes resultados, podemos listar algumas observações importantes para levar conosco na luta por uma educação melhor:

Por que arte?

1) A arte melhora o engajamento e a atenção dos alunos, logo, é algo essencial no currículo da escola

2) É importante ter professores bem preparados, com suporte teórico e prático para ensinar de forma lúdica não só na aula de artes, mas em todas as disciplinas

3) O desenvolvimento cognitivo em crianças advém de interações sociais, com conhecimento contruído em conjunto com adultos que possam mostrar outros mundos à elas, segundo o psicólogo Lev Vygotsky (1896-1934). E nada mais social do que a própria arte!

4) Aliada à tecnologia, a arte pode se tornar uma experiência ainda mais transformadora, pois supre à necessidade de materiais de qualidade sobre o ensino da música

E você, também acha que a arte tem potencial para transformar a educação? 🙂

Finlândia vai abolir disciplinas do seu sistema de ensino

Créditos da imagem: filehippo.com

Você consegue imaginar uma escola que não divide o ensino em disciplinas específicas, como matemática, história e biologia?

Ela está prestes a existir. E se você acha que é uma ideia de eficácia questionável, pense de novo, pois este futuro modelo advém do país com um dos melhores sistemas de educação do mundo: a Finlândia.

Com posições de topo em matemática, línguas e ciências no ranking PISA da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, o país é referência para educadores de todo o mundo, que vêem a Finlândia como exemplo e tentam adaptar seu ensino aos valores do país nórdico.

Mas, como podemos ver, a Finlândia não descansa nos próprios méritos e mais uma vez resolveu inovar seu sistema de ensino.

Agora, a mais nova revolução na educação finlandesa consiste em abolir o tradicional ensino por disciplinas e substituí-lo pelo ensino através de tópicos.

Disciplinas como Literatura Inglesa e Física já foram eliminadas das turmas de alunos com 16 anos (que seriam do ensino médio aqui no Brasil) na capital Helsinque.

Em vez disso, os estudantes finlandeses estão aprendendo “fenômenos”, ou seja, vêem em uma única aula toda a aprendizagem englobada em economia, história, línguas e geografia, etc.

A ideia desse novo sistema visa evitar a maior angústia dos estudantes no mundo inteiro: “Qual o sentido de aprender isso? Em que esse aprendizado pode servir?”

Agora, cada matéria está ancorada à sua razão de ser aprendida.

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Helsinque, a capital da Finlândia. (Créditos: Viagem Fotos)

 

Mas o novo sistema é polêmico:

Para o desenvolvedor do projeto Pasi Silander, o mundo mudou muito com o desenvolvimento da tecnologia e a maioria dos antigos métodos de ensino do passado não possui mais nenhum propósito prático.

“Jovens usam computadores com tecnologia avançada diariamente. No passado, por exemplo, os bancos tinham diversos funcionários somando contas, mas agora isso não é mais necessário – tudo mudou”

Entretanto, muitos professores na Finlândia estão em oposição ao futuro modelo. Não é difícil entender seus motivos: a maioria desses professores ensinou apenas uma disciplina durante toda a sua carreira, e com esse tipo de sistema eles seriam forçados a trabalhar de forma colaborativa e interagir de maneiras totalmente diferentes do usual, a fim de criar um novo currículo juntos.

Marjo Kyllonen, gestora de educação de Helsinque e principal responsável pela reforma do sistema na capital, considera esse novo modelo como um “co-ensino”.

Kyllonen afirma que as escolas que estão ensinando da forma antiquada:

“O ensino que era benéfico no começo dos anos de 1900 não é o mesmo que se ajusta às necessidades do século XXI.”

O novo sistema já está sendo testado na capital, mas ela afirma que a intenção dos responsáveis é tornar o sistema vigente em todo o país até o ano de 2020.

Será que os outros países do mundo também vão seguir os passos da Finlândia? E você, concorda com esse novo conceito educacional?

Como engajar alunos distraídos em 3 passos

Créditos da imagem: Fotolia

Indisciplina. Faltas. Desinteresse. Conversas paralelas. Essas características são recorrentes nas suas turmas?

Se a resposta for sim, fica claro que é preciso mudar alguma coisa nesse cenário.

Geralmente os alunos que passam pelas situações acima são alunos distraídos, que já carregam esse problema em outras esferas da vida. Basta um pássaro pousar na janela que a aula inteira já foi arruinada para ele.

Mas é possível fazer esses alunos participarem ativamente das aulas  – e não é difícil.

Primeiro, vamos identificar algumas coisas:

  • Será que o problema está apenas no conteúdo?
  • O que você pode estar fazendo errado?

O problema não reside no conteúdo, mas na abordagem. É possível fazer os alunos distraídos se sentirem estimulados com qualquer conteúdo se este for abordado de maneira assertiva, lúdica e interessante.

A chave aqui é captar a atenção e o interesse. E talvez seja aí que a maioria dos professores peca.

Créditos: naturallyhealthyparenting.com

Créditos: naturallyhealthyparenting.com

A questão é que essas situações são comuns, mas fáceis de resolver. Ainda assim, pouca gente sabe sair do famoso “feijão com arroz” nas salas de aula.

Com o guia abaixo, iremos simplificar em alguns passos como você pode engajar os alunos distraídos usando tecnologia:

Os 3 passos para engajar alunos distraídos

Créditos: Annie Tritt for The New York Times

Créditos: Annie Tritt for The New York Times

1) Criar aulas atrativas

Eu tenho certeza que todo professor cria sua aula com carinho e esmero. O problema é que muitos não percebem que os alunos dessa geração se distraem muito mais facilmente devido ao grande número de estímulos advindos do século XXI.

Alunos dessa geração são empurrados para diversas atividades extracurriculares para “ocuparem seu tempo”, não brincam mais na rua e não têm o que fazer em casa. Essa realidade nova (e não necessariamente boa) deve ser pensada na hora de criar as aulas.

Mas o que atrai essa nova leva de estudantes?

Pesquisadores da Uneb investigaram que jogos e videogames são algumas das ferramentas mais atrativas para crianças distraídas e outros garantem que não há oposição entre videogames e aprendizado. O necessário é usá-los de forma correta, pois aprender demanda concentração, tempo e paciência.

As crianças encaram jogos como desafios e apresentam muito interesse em vencê-los. E a medida que ela joga, o interesse vai se convertendo para o conteúdo, o aprendizado e para a proposta pedagógica.

2) Enfatizar a importância das regras

Como citado anteriormente, aprender demanda concentração, tempo e paciência. É o que diz a pesquisadora Angela McFarlane, da Universidade de Bristol (Grã-Bretanha). Ela faz uma analogia com chocolate e brócolis:

Para muitas crianças, aprender é ruim como comer brócolis e jogar é bom como comer chocolate. Mas cobrir o brócolis de chocolate para torná-lo mais atrativo não é a solução, pois elas não vão comer (aprender) do mesmo jeito.

Ou seja, os jogos devem ser planejados para focar no aprendizado e não no entretenimento.

E isso é ainda mais importante tratando-se de crianças indisciplinadas, que não possuem limites e precisam aprender a obedecer as regras.

Uma dica é usar os próprios jogos para transmitir noções de importância sobre as regras. Esse conceito é aprendido enquanto se joga, pois sem seguir as regras os alunos não poderão enfrentar o desafio. O segredo é mostrar que isso se aplica à outras esferas da vida também.

3) Utilizar movimentos a favor da aula

Jovens carregam muita energia, quase sempre acumulada. E quando são distraídos ou indisciplinados, dificilmente param quietos em suas cadeiras. Costumam correr pela sala e conversar com outros alunos.

Essa energia em demasia pode ser um fator distrativo, mas também pode ser trabalhada contra ele.

A energia pode cair como uma luva na hora dos jogos pedagógicos. Levá-las para uma aula ao ar livre ou criar um jogo que demande o movimento delas, como levantar e ir para o quadro escrever algo ou realizar uma mímica são algumas das estratégias possíveis.

Até em jogos digitais a energia é descarregada, uma vez que elas estão trabalhando o cérebro de formas diferentes do habitual – logo, gastarão mais energia resolvendo aqueles desafios.

O professor mexer-se junto pela sala enquanto dá aula também é importante. Um professor estático no canto da sala não chama tanta atenção como um professor que está transitando entre as cadeiras, pois o cérebro dos estudantes é rápido e vai querer acompanhar a agilidade dos movimentos.

Como você lida com a distração de seus alunos?

Compartilhe conosco suas experiências abaixo!

 

4 dicas para transformar o aprendizado através da música

Era um evento clássico: a Semana Jurídica da Escola de Direito e de Comunicação do Centro Universitário Newton Paiva acontecia tradicionalmente todos os anos com várias palestras quase nunca interessantes. Alguns alunos já não viam sentido no evento por achá-lo vazio.

Até que o professor Bernardo Gomes recebeu a incumbência da semana e resolveu fazer mais do que isso: repensá-la. Daí surgiu a ideia de inovar a programação, que culminou na realização de uma Semana Jurídico-Cultural,  com inserções artísticas na programação. Havia shows e peças de teatro tratando do tema, dando uma nova roupagem ao que já era visto de forma ortodoxa nos anos anteriores.

Assim, os alunos ficaram mais engajados e saíram do óbvio, adentrando em novas realidades proporcionadas pela arte e a música. Uma das atitudes do professor Bernardo foi colocar um músico e DJ com canções ligadas à direitos humanos para tratar do tema de forma jurídica.

Um dos segredos foi quebrar a metódica comum dos eventos jurídicos, mostrando que o conhecimento de verdade precisa ser compartilhado de forma ostensiva. Em vez de um palestrante proferindo monólogos e passando slides, uma mesa de DJ completa, música e diálogo direto com o público. Claramente a atividade foi um sucesso, contando com a presença de professores e 380 alunos.

Como ficou a atividade com o DJ Negralha, músico da banda “O Rappa”. (Crédito: Divulgação/Porvir)

Como ficou a atividade com o DJ Negralha, músico da banda “O Rappa”. (Crédito: Divulgação/Porvir)

O que podemos aprender com esse caso para dentro da sala de aula?

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A maior vantagem da música na escola é sua característica interdisciplinar, ou seja, a capacidade dela permear entre diversas disciplinas.

1) Música e arte promovem diálogos entre mundos diferentes

A música tem a vantagem de levantar debates através das letras. Temas vistos nas disciplinas podem ser explorados a partir de analogias e interpretações das canções, criando paralelos sobre diversas áreas ao mesmo tempo. A letra da música “Se essa rua fosse minha” pode levantar debates sobre a identidade dos bairros, a criação de novos espaços na cidade e a territorialização numa aula de geografia, por exemplo. A música pode aproximar as crianças de outras realidades, e diminuir também as diferenças entre elas.

2) Inserção social pela arte

Muitas escolas possuem mais do que o papel educador. Elas são, nesses casos, um refúgio da realidade difícil vivida nas casas de muitas crianças brasileiras. Através da música e da arte, a escola assume o papel de inserir socialmente os estudantes com cultura e conhecimento, ampliando horizontes e habilidades – e até dando a oportunidade de que elas descubram talentos que fora dali não iriam aflorar. Além disso, estimula a motivação para que elas permaneçam na escola e construam um futuro melhor.

3) Novas formas de realizar “o de sempre” são possíveis

O maior feito de Bernardo foi conseguir realizar a Semana Jurídica de uma forma inovadora, unindo a música e a arte ao que já era feito tradicionalmente. A maior vantagem disso é agregar duas esferas que geralmente são postas como distintas e torná-las um conhecimento só, que se complementa a medida que é formado – afinal, de nada adiantam conhecimentos isolados. Isso, na sala de aula, pode ser feito com gincanas ou jogos, como fez esta professora que ensinou matemática com um game divertido e a Escribo com o Curso de Flauta, que mescla o aprendizado pedagógico da música com jogo.

“Como sempre afirmo, não há conhecimento compartimentado. Levar ideias com metodologias não-ortodoxas e linguagens distintas nos alinha a um pensamento de que o aluno deve desenvolver sua habilidade particular. Se não oferecemos possibilidades e encerramos o conhecimento na didática da sala de aula, uma parcela dos alunos não será atingida. A música e a arte são universais e essa união busca trazer para dentro do saber o maior número de alunos.” Bernardo Gomes

4) Trazer o novo para a sala de aula abre possibilidades

O elemento da novidade pode levar muitos alunos a desenvolver outras habilidades que talvez não seriam descobertas sem que eles se sensibilizassem com aquela novidade em questão. Podemos descobrir futuros músicos numa aula com flauta, futuros artistas numa aula que estimule a pintura, novos engenheiros numa aula de robótica. A questão aqui é semear para que se colham os frutos no futuro.

E você, como usa a música para inovar e catalisar bons resultados na escola? Nos conte nos comentários!

 

Como estimular a leitura entre as crianças?

Créditos da imagem: thyblackman.com

O Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA) revelou em 2012 dados preocupantes para os educadores: 49% dos estudantes brasileiros na faixa dos 15 anos apresentam baixo desempenho em leitura. 

E a situação é ainda mais desanimadora: o Movimento Todos pela Educação realizou um estudo evidenciando que apenas 44,5% das crianças que concluíram o 3º ano do ensino fundamental apresentam uma aprendizagem adequada de leitura e interpretação de acordo com a Prova ABC, também em 2012.

Segundo a doutora em educação pela Universidade de Brasília (Unb) Ana Luiza Amaral, esse quadro precisa ser revertido para que a meta 5 assumida pelo Governo Brasileiro no Plano Nacional de Educação (PNE) seja cumprida. A meta visa alfabetizar todas as crianças, no máximo, até o final do 3o (terceiro) ano do ensino fundamental nos próximos dez anos.

Mas como podemos fazer nossa parte?

“A leitura do mundo precede a leitura da palavra” Paulo Freire

A alfabetização deve ser garantida para todas as crianças até o 3º ano do ensino fundamental, segundo meta do Governo Federal.

A alfabetização deve ser garantida para todas as crianças até o 3º ano do ensino fundamental, segundo meta do Governo Federal.

De acordo a psicologia, seres humanos agem por condicionamento a partir de estímulos. Se queremos crianças leitoras, a leitura precisa virar hábito. E para esse hábito não virar apenas uma obrigação, é preciso estímulos que tornem a leitura prazerosa e benéfica para elas.

Logo, o papel do adulto e do educador está em apresentar o mundo da leitura de forma positiva para as crianças. Sendo assim, vejamos como começar:

  • Primeiro passo: Identificar a fase em que a criança se encontra
  • Segundo passo: Integrar a leitura à rotina de acordo com a fase para que ela se torne um hábito com mais facilidade

A idade e fase educacional que a criança se encontra irão definir a forma de como seu cérebro absorve conhecimento. Pensando nisso, Ana Luiza Amaral bolou cinco estratégias transformadoras para cada uma dessas fases, desde a pré-alfabetização, para os pais.

A Escribo adaptou cada uma dessas para os educadores e a realidade da escola. Confira:

15 dicas para estimular a leitura em crianças 

Antes da alfabetização:

 

Créditos: KisforKids.com

Créditos: KisforKids.com

 

1. É fundamental possibilitar à criança entrar em contato com os livros desde cedo

A criança pecisa se familiarizar com o livro. Seja tocando, manuseando, brincando. Muitas editoras oferecem livros diferenciados para esta fase, com material apropriado – plástico, texturas diferentes e cores variadas compõe as opções para crianças pequenas no mercado atual. As escolas precisam disponibilizar esse material em sala, em cestas de livros ou criando um “cantinho da leitura” com o auxílio dos professores. Além disso, aulas e visitas periódicas na biblioteca é essencial para essa familiarização. Aulas de campo em espaços em que elas entrem em contato com os livros, como feiras e bienais, também são importantes.

2. Perceber o interesse dos adultos em relação à leitura favorece o interesse da criança

Nessa fase, as crianças adoram imitar adultos, brincar com essa realidade. Se os professores e funcionários gostam de ler e têm o hábito de levar livros para a escola, esse comportamento tende a influenciar a criança, contribuindo para que ela também desenvolva o gosto pela leitura. Crie campanhas e reforce a importância da leitura e dessas pequenas atitudes entre professores e funcionários. Professores que falam sobre livros também contribuem nessa influência positiva.

3. É essencial ler para as crianças

O interesse pela leitura começa nesse vínculo, nessa troca. A criança entra no universo das histórias, se envolve, se encanta e começa a desenvolver o desejo de se apropriar da leitura, de se tornar um leitor. Uma dica é ler uma história por semana para a turma no final da aula, por exemplo.

4. Além de ler, é muito importante conversar com a criança sobre a história

Perguntar sobre o que ela entendeu, sobre qual personagem gostaria de ser,se ela daria um final diferente. Ler é muito mais do que decodificar, dar um som para letras, ler é construir sentido, é encontrar significado. Ao conversar sobre o que leu, a criança pensa, reflete, e desenvolve a sua capacidade de compreensão.

5. Os livros devem ser organizados em um local de fácil acesso para as crianças

A criação de um “cantinho da leitura” na sala de aula, como mencionado na primeira dica, pode ser organizada de forma simples, como em baús ou estantes baixas, possibilitando a sua busca, quando elas quiserem. A ideia é tornar o material acessível nas horas de intervalo e recreio ou na espera pelos pais na saída, por exemplo.

Durante a alfabetização:

Créditos: YogaGangsters.wordpress.com

Créditos: YogaGangsters.wordpress.com

6. Incentivar a leitura em conjunto

A leitura em conjunto encoraja a criança nessa jornada inicial rumo à alfabetização. Por exemplo: a criança lê uma parte com o professor em sala de aula, e outra em casa, até que ela tenha fluência para ler um livro inteiro sozinha. Outra forma é dividir a sala em grupos, onde cada um dos integrantes lê um parágrafo da história.

7. No início do aprendizado da leitura, oferecer livros com muitas imagens e pouca escrita

Quando a criança tem um desafio para além do que está preparada, pode ficar desestimulada. É importante oferecer livros de acordo com a faixa etária da criança e com seu nível de leitura. Sendo assim, o professor deve começar apresentando livros coloridos, com imagens, e depois ir aumentando a quantidade de escrita conforme o desenvolvimento da turma.

8. Incentivar a criança a ler externamente

Pedir para as crianças listarem o que viram nos outdoors durante o fim de semana é uma atividade possível para que a criança leve o aprendizado e a leitura para fora da sala de aula. Outra dica interessante é pedir que elas coletem (com o auxílio dos pais), nos jornais e revistas, temas do seu interesse. Existem cadernos e setores especiais para as crianças na grande parte das publicações atuais.

9. Mostrar a importância da leitura para a compreensão do mundo

A leitura de placas e tudo que está a sua volta, como embalagens, instruções e marcas, também é uma forma de chamar a atenção – e complementar o incentivo da 3ª dica.

10. Promover atividades que envolvam a leitura

Uma ideia divertida é atrelar a leitura à culinária. Incentivar a turma a ler a receita e fazer junto com ela algo simples e popular como brigadeiro ou bolo. É importante que a leitura seja algo prazeroso e não uma obrigação.

Depois da alfabetização:

Créditos: BarisGurka.com

Créditos: BarisGurka.com

11. A leitura para a turma deve continuar

Mesmo alfabetizada, é importante que a criança continue ouvindo histórias dos pais e professores, pois a troca afetiva que se estabelece no contato com os livros favorece o envolvimento com a leitura. Basta diminuir a periodicidade.

12. É interessante estimular a criança a inventar histórias e criar os próprios livros

O MEC possui, no portal do professor, um módulo ensinando como as crianças podem criar um livro de histórias na sala de aula. Confira aqui!

13. Incentivar a troca de livros

Favorecer o contato com uma diversidade maior de títulos ajuda a criança não só na leitura, mas na socialização – conversar com os coleguinhas sobre as histórias trocadas ajuda a turma a desenvolver as relações interpessoais. A ideia pode ser aplicada no mês dos paradidáticos, onde elas podem ir revezando as leituras com os outros.

14. Familiarizar a criança com diferentes gêneros literários

É importante que elas conheçam os diversos gêneros literários existentes e não deixem de ampliar os horizontes na leitura, podendo buscar coisas novas sempre que possível. Veja o que a pesquisadora em educação Maria Zélia Versiani Machado, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), diz a respeito dos gêneros literários na alfabetização infantil:

“A literatura infantil que hoje se publica para crianças bebeu em fontes variadas da tradição literária, que se atualizam criativamente a cada geração de leitores – daí a importância de identificá-las. […] Falar de gêneros da literatura pressupõe, assim, o diálogo com a tradição e com formas orais e escritas do texto literário, produzidas para crianças em diferentes épocas.”

15. Dosar o tempo de leitura

Por fim, para não sobrecarregar a criança, é importante que a leitura tenha seu tempo reservado nas aulas – mas que ele seja respeitado e não ultrapassado, deixando sempre um gostinho de quero mais.

DICA EXTRA:

Você sabia que ferramentas interativas auxiliam na alfabetização? Sim: tablets, jogos e aplicativos e outras tecnologias contribuem efetivamente para a alfabetização das crianças.

Para a educadora Renata Aquino, doutora e pesquisadora de tecnologias na educação na PUC-SP, existe uma necessidade de integrar o uso de recursos tecnológicos na escola, inclusive no processo de alfabetização. “A tecnologia já está presente na forma como o aluno lê o mundo hoje”, aponta, ao mencionar que eles fazem parte da chamada geração de nativos digitais (ou seja, já nasceram na era da tecnologia).

Segundo ela, os tablets e dispositivos móveis são ótimas ferramentas por conterem elementos visuais que incentivam a leitura e a escrita. Além disso, os games e as redes sociais educativas também ajudam a engajar e despertar o interesse do aluno. No entanto, ao utilizar a tecnologia como aliada durante o processo de alfabetização, a pesquisadora faz uma ressalva. “O professor precisa investir muito em planejamento. Para qualquer instrumento, ele deve pensar no contexto em que irá utilizar.”

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“É importante que a leitura seja algo prazeroso e não uma obrigação”, afirma a doutora em educação Ana Luiza Amaral

O que você achou das dicas? Caso saiba mais, por favor não deixe de adicioná-las nos comentários, para que mais educadores sejam contemplados!