Como são formados os melhores professores do mundo?

O acadêmico finlandês Pasi Sahlberg escreveu o livro Finnish Lessons 2.0: O que o mundo pode aprender com a mudança educacional na Finlândia? em 2013, onde, entre muitas lições, contou uma em particular para o jornal The Guardian, sobre como são formados os professores em seu país.

De acordo com o OECD (Organização para Economia Cooperativa e Desenvolvimento), os rankings educacionais da Finlândia configuram o topo das pesquisas mundiais sobre aprendizado.

Isso nos leva a imaginar que o principal catalisador desses resultados são os professores bem preparados. E são. É muito difícil ser um professor na Finlândia e as vagas nas Universidades são muito concorridas. Apenas um a cada dez concorrentes é aceito por ano. Os escolhidos precisam ainda estudar cinco ou seis anos antes de lecionarem em salas de aula.

O caso contado por Sahlberg foi de sua sobrinha, que mesmo com notas exemplares e um currículo escolar impecável não conseguiu entrar na Universidade da capital Helsinque, para ser uma professora do pré-escolar como sonhava.

Você deve estar pensando que ela não entrou devido ao alto número de concorrentes para uma vaga, e que talvez ela deveria ter estudado mais para ter melhores notas e ser aprovada. Errado.

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Campus da Universidade de Helsinque, capital da Finlândia (Créditos: John Welsh/Wikipedia)

 

A sobrinha do Sahlberg foi recusada na universidade, assim como muitos outros estudantes finlandeses, não por ser academicamente insuficiente, mas por não estar capacitada naquele momento em outras competências. Não entendeu? Vamos aos fatos:

O teste para entrar nas universidades de licenciatura na Finlândia possuem duas fases: todos devem fazer o teste escrito, nacional. Os que obtiverem melhores resultados ali são convidados para a segunda fase, onde a universidade aplica um teste de aptidão específico. E é aí que está o segredo.

O sistema educacional finlandês tem consciência de que apenas ir bem academicamente e ter boas notas não forma exatamente os melhores professores. As habilidades devem transpassar a teoria.

Basta olhar o perfil acadêmico dos calouros selecionados na Universidade de Helsinque: um quarto deles tinha notas consideradas “medianas” (entre 51 a 81 pontos numa escala de 0 a 100).

“Se os educadores das universidades da Finlândia pensassem que a qualidade de um professor está correlacionada apenas com as habilidades acadêmicas, eles teriam admitido minha sobrinha e muitos outros que, iguais a ela, tinham um desempenho superior no ensino médio”, afirma Pasi Sahlberg.

De fato, a Universidade de Helsinque poderia ter escolhido os futuros universitários com melhores notas, mas não o fazem pois acreditam que o potencial de um bom professor está escondido em de diversos tipos de alunos.

Jovens atletas, músicos e líderes de grupos da juventude, por exemplo, nem sempre têm as melhores notas, mas têm características inerentes à bons professores: liderança, energia, habilidades manuais e tecnológicas. Todas essas habilidades ajudam na didática, pois não adianta deter conhecimento se não há como repassá-lo.

O que a Finlândia mostra é que mais importante do que colocar os mais “inteligentes” (de acordo com notas acadêmicas) nas universidades é pensar em uma formação que aproveite o melhor talento de cada jovem – a paixão por ensinar (e a didática) conta mais que as habilidades acadêmicas.

Segundo Sahlberg, na Inglaterra e nos Estados Unidos ainda se acredita que as melhores notas formam os melhores professores, e que a qualidade do ofício é proporcional ao desempenho acadêmico dos futuros mestres. Para ele, isso são mitos que devem ser evitados na hora de reformar a educação mundial.

Ele ainda afirma que um passo à frente seria admitir que os melhores estudantes nem sempre são os melhores professores:

“Sistemas educacionais de sucesso devem se preocupar em encontrar as pessoas certas para seguir a carreira de professor”

Você concorda com o educador finlandês?

 

Entendendo os processos de aprendizagem: como os alunos aprendem?

Você com certeza já viu esse tipo de profissional:

Um professor ou professora inteligentíssimos, com um particular talento intelectual, diversos cursos no currículo, mestrado, doutorado e até PhD. Não é segredo para ninguém que aquela pessoa não apenas sabe muito, mas que domina um vasto conhecimento na sua área.

Só que, chegando na sala de aula, ela se comunica mal, não consegue se expressar e tão pouco transferir o conhecimento. A linguagem corporal é nula, as falas são incompreensivas. Tecnologia? nem pensar. No máximo alguns slides enormes num datashow que levou quarenta minutos para ser montado.

Isso prova que é essencial para os educadores dominar não apenas o conteúdo, mas a habilidade de passá-lo adiante de forma efetiva.

Para auxiliar os professores nessa missão, hoje vamos mostrar como o ocorre processo de aprendizado, com 6 fatos que o professor precisa saber à respeito de como seus alunos aprendem: 

1. Alunos aprendem melhor através de múltiplos ângulos

Apesar de parecer óbvio na teoria, na prática poucas escolas e professores adaptam o ensino para atingir todos os tipos de aluno.group of teens students hanging out at school

Alguns alunos aprendem melhor com estímulos visuais multimídia, outros escutando exemplos e histórias. É preciso ajustar as formas de ensino para que todos sejam contemplados – tendo isso em mente, o professor já consegue desenvolver atividades mais variadas, tanto no método como no nível de dificuldade.

2. A melhor forma de fixar informação é reforçando-a

Group of students in a libraryE a melhor forma de reforçar a informação é repassando-a de formas diferentes, em momentos diferentes.

Usar, além dos tradicionais exercícios, mapas, esquemas ou painéis, depois músicas, e em outro momento jogos e filmes ajuda a manter a informação ativa em várias áreas do cérebro.

3. Use a interdisciplinaridade 

behind the booksEm vez de separar as matérias, por que não usar uma para contribuir com a outra? Mesclar o aprendizado torna tudo mais divertido e engajador, além de reforçar e memorizar o que está sendo aprendido em cada matéria simultaneamente.

Por exemplo: Se o conteúdo em história é a história do Antigo Egito, é possível incorporar isso à linguística,  falando de hieróglifos ou propondo uma redação sobre qual monumento egípcio é mais interessante.

4. Ensine sobre o próprio processo de aprendizado

O próprio conceito de aprendizado é algo abstrato.asian male thinking

Ajudando seus alunos a arte de aprender, as técnicas necessárias para um bom aprendizado, assim como explorar os diferentes estilos de aprendizagem, você estará empoderando-os nesse processo. Quando um tópico ou assunto for mais difícil ou invasivo, o estudante que entende como aprender vai ter mais paciência para encarar o desafio.

Uma dica interessante é esta história em quadrinhos que ensina formas de evitar a procrastinação: “Uma longa noite aprendendo: como Sofia aprendeu a aprender melhor“.

Outras técnicas são:

  • Memorização
  • Análise de fatos e processos
  • Entendendo a realidade

5. Crie espaços 

salle de classe

Essa é uma sugestão psicológica e logística – criatividade é o berço do aprendizado, onde um estudante pode semear pensamentos, ideias, problemas e fazer conexões entre conceitos.

A criatividade depende da ativação do lado direito do cérebro, e determinados espaços são oportunos para a criatividade aflorar.

Dê aos estudantes um espaço para se alongar, se mover, observar o ambiente e as janelas. Passeie pela sala, entre as cadeiras, para chamar a atenção deles.

6. Use tecnologia

Nunca antes na história da humanidade informações e conhecimento estiveram tão acessíveis. Com um toque no tablet ou no smartphone, um estudante pode conseguir respostas às questões que, antes, precisariam de uma ida à empoeirada sessão de enciclopédias na biblioteca.

Isso significa que memorizar não tem mais a mesma importância que um dia teve 100 anos atrás. Tradições orais e o hábito de Boy spending time with notebook and modern technologypassar a informação à frente verbalmente estão quase extintos.

Melhor do que resistir ao avanço da tecnologia é vê-la como a ferramenta perfeita de ir além com os estudantes, desde que eles não precisam desperdiçar tempo investigando informações que estão à um toque de distância.

Explore temas, encoraje a inovação. Você pode se inspirar com outros artigos à respeito:

O pedagogo Andrianes Pinantoan, autor da lista, afirma ainda que estimular a curiosidade também é uma forma de fazer o processo de aprendizado acontecer:

“Quando os alunos têm interesse em algo, seu aprendizado cresce. Eles têm mais foco, iniciativa, engajamento no material. Fazer com que eles pesquisem, investiguem e explorem suas curiosidades sobre conteúdos que gostam aumenta a motivação da sala de aula.”

E os seus alunos, como estão aprendendo?

7 características de uma sala de aula produtiva

Professores devem encarar suas salas de aula como templos de efervescência intelectual. É lá onde seus alunos aprenderão diversos valores e conteúdos importantes para seus respectivos futuros em desenvolvimento.

Assim, é importante garantir que aquele ambiente seja de fato um catalisador do aprendizado.

Ensinar e aprender não podem ser eventos isolados – é preciso interação entre educador e educando, desenvolvimento de competências em conjunto e construção de conhecimento do mundo aliada ao autoconhecimento – que envolve curiosidade, autenticidade e afeto.

Pensando nesse contexto, o educador Terry Heick resolveu listar todas as características de uma sala de aula producente, que produz resultados efetivos de um bom aprendizado.

A intenção é que a lista sirva de termômetro ou checklist para você avaliar e refletir sobre a sua própria sala de aula:

Quando uma aula é produtiva e o aprendizado, efetivo?

Foto de uma sala de aula mostrando diversos alunos de costas sentados em carteiras olhando para o quadro negro. Nas carteiras, estão caixas repletas de materiais.1. Quando os alunos fazem perguntas – boas perguntas

Perguntas são cruciais para o processo de aprendizado acontecer.

O papel da curiosidade foi estudado o suficiente para sabermos que, se um estudante entra em processo de aprendizado sem nenhuma curiosidade natural para saber o que lhe espera naquele conteúdo, não espere que ele interaja com o material e faça as atividades.

Ditar como o aluno deve aprender, esperar respostas únicas e imutáveis e pensar sempre em preto e branco, esquecendo a criatividade, são alguns vícios que podem matar a curiosidade do aluno e consequentemente sua vontade de aprender.

Se os alunos não conseguem criar boas perguntas, alguma coisa está errada.

2. Quando as perguntas são tão valiosas quanto as respostas

“Questione tudo” é a máxima da filosofia. É questionando que descobrimos o mundo e nos conectamos com várias realidades. Faz sentido que perguntas guiem o aprendizado – elas fazem o conteúdo fluir para direções novas e por isso devem ser valorizadas.

Estimule questionamentos de forma criativa, faça listas, instigue a curiosidade – o interesse pelas aulas vai aumentar drasticamente.

3. Quando as ideias vêm de fontes divergentes

Ideias para atividades, leituras, testes e projetos devem vir de vários lugares. Se todas as ideias partem de um só ponto de vista, sua aula estará fadada à inercia, onde apenas uma direção é apontada.

Instigar que os alunos pesquisem e vejam o mundo por ângulos distintos é uma alternativa interessante – deixe-os buscar fontes em suas próprias comunidades e círculos de convívio, mas também fora de suas zonas de conforto. Que tal trazer para sala de aula um convidado com ideias inovadoras?

É interessante um debate onde duas fontes discordam, pois é esse tipo de divergência que encaramos no mundo real.

4. Quando há variedade nos modelos de ensino utilizados

As possibilidades de inovar passando o conteúdo são infinitas: projetos de audiovisual, aprendizado via conteúdo digital, desafios com jogos, intercâmbio de conhecimentos com outras salas.

O importante é não engessar a sala de aula num modelo tradicional onde o aluno apenas ouve o que o professor fala. Adaptar a aula para determinado conteúdo é possível e interativo, garantindo engajamento, como professores que usam música para ensinar fórmulas ou jogos para ensinar matemática.

É uma característica de uma sala de aula efetiva haver diversidade, o que exige do professor a capacidade de se autodescobrir e reeinventar-se, aprendendo sempre.

5. Quando o conhecimento trespassa as paredes da sala de aula

Este ponto é óbvio: se os alunos irão deixar as salas de aula em algum momento, o conhecimento precisa ultrapassar igualmente aquele ambiente físico.

É essencial refletir sobre literatura e química, mas as fórmulas e autores do arcadismo precisam ter importância prática na vida desses alunos – e isso é perfeitamente possível.

A química está em todas as coisas que eles consomem, o que pode ser um gancho na hora de ensinar, e ideias árcades como “cortar o inútil” (inutilia truncat na literatura, que visava erradicar os exageros e simplificar as coisas) podem ser muito úteis na vida dos estudantes à medida que eles amadurecem.

O segredo é abordar o conteúdo da forma certa.

6. Quando o aprendizado é personalizado de acordo com a classe

Não é preciso ter muita sensibilidade para entender que cada aluno é diferente, de forma que toda sala de aula também será. Isso exige que o professor saiba adaptar suas aulas para à realidade daquela escola, daquela classe, daqueles alunos.

Ainda que aprendam o mesmo conteúdo, os perfis são diferentes – e assim devem ser as aulas.

7. Quando as avaliações são autênticas e transparentes – não punitivas

Segundo as pedagogas Ana Paula Martins e Natália Luiza da Silva, aprendizagens significativas são aquelas reflexivas, construídas ativamente pelo aluno e auto-reguladas. Conhecer, segundo essa nova visão, significa interpretar e relacionar.

Podemos dividir o processo de avaliação autêntico e significativo em dois momentos:

Democratização dos sistemas educativos

A avaliação poderá impulsionar a aprendizagem, se praticada segundo uma concepção formativa ou um elemento desmotivador, se for meramente classificatória. Nesse sentido, as práticas avaliativas tanto podem ser utilizadas a favor da efetiva democratização quanto para uma exclusão mascarada (uma exclusão por dentro do sistema).

Desenvolvimento das teorias de currículo

É preciso um novo modelo curricular, cujos princípios são: todos podem aprender; os conteúdos devem ser desafiadores, orientados para a resolução de problemas e para processos complexos do pensamento; deve haver igualdade de oportunidades; criação de hábitos de reflexão e atitudes favoráveis à aprendizagem; socialização dos alunos às disciplinas acadêmicas.

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O que falta em um dos melhores sistemas educacionais do mundo?

Apesar de aparecer no topo dos rankings educacionais internacionais, como o Programme for International Student Assessment (PISA), o sistema educacional da China vem sendo questionado, nos últimos anos, por pesquisadores ao redor do mundo.

Mas por que uma educação que garante resultados está sendo questionada?

Ainda que vários estudantes tenham alto desempenho educacional até mesmo nas áreas rurais e mais pobres, uma coisa chamou atenção dos especialistas: o stress era comum à todas essas crianças.

Vários fatores agravam esse quadro:

  • Estudantes chineses passam mais tempo na sala de aula do que a maioria dos estudantes ao redor do mundo, como os britânicos, por exemplo.
  • Os dias de aula são maiores até em escolas primárias, onde as crianças ficam na escola de 8h às 15 h, com um intervalo de apenas meia hora para almoço nas grandes cidades como Shanghai e Beijing.
  • Os feriados são diminuídos para que elas tenham mais dias de aula.
  • Em média, no sistema chinês de educação, os anos letivos costumam ter 245 dias e 175 dias sem aula – 37 dias a menos do que a maioria dos estudantes ao redor do mundo, como no Reino Unido, onde as crianças têm 212 dias de descanso, incluindo férias e feriados.

A rotina escolar fica ainda mais puxada quando as crianças passam para o ensino fundamental, onde a competição para entrar nas melhores escolas de ensino médio (conhecidas como high schools) aumenta a pressão: enquanto os pais investem em aulas de inglês e olimpíadas de matemática, o tempo de aula aumenta paralelamente – os estudantes do ensino fundamental chegam a escola às 7:30h e saem às 16h.

Além disso, 45% das crianças ainda ficam mais 4h na escola para aulas extras de reforço após as aulas – sem falar das tarefas de casa e trabalhos extra classe, quando elas finalmente voltam para casa à noite.

Essa rotina é enaltecida pelos pais, que reconhecem a educação como o mais importante caminho para o sucesso na cultura chinesa. Segundo os próprios estudantes, a influência dos pais, que cultivam altas expectativas em seus filhos de forma que possam realizar neles seus próprios sonhos, é o principal agente motivador dos pupilos chineses.

Em tempo, pesquisadores do Reino Unido e da China acreditam que não existem vantagens em passar tantas horas na sala de aula além de bons resultados em rankings e conhecimento focado apenas em absorver conteúdo.

Faltam habilidades básicas para o século XXI nos estudantes do país asiático, como relacionamentos interpessoais bem desenvolvidos, resolução de problemas e criatividade. Vale a pena uma educação que garante resultados em rankings e testes se ela não estimula a curiosidade, a produção criativa e as habilidades motoras das crianças?

meio do post

 

Uma pesquisa do Comitê Científico do Núcleo Ciência Pela Infância (que conta com a USP e a Universidade de Harvard) sobre desenvolvimento infantil afirma que a criança precisa brincar para fazer as sinapses necessárias para um crescimento saudável, garantindo vivências e experiências que garantem um pensamento rápido e resolução de problemas, o que pode ser levado para o futuro:

“Um importante aspecto da experiência do desenvolvimento infantil, do ponto de vista da criança, são as habilidades que ela adquire ao brincar, seja com objetos ou com pessoas. Por intermédio do brincar, já desde os primeiros meses de vida, a criança aprende a explorar sensorialmente diferentes objetos, a reagir aos estímulos lúdicos propostos pelas pessoas com quem se relaciona, e a exercitar com prazer funcional suas habilidades.”

Outro estudo realizado pela Ian Morgan of Australian National University afirma que, devido às longas horas de estudo dentro de sala de aula e poucas horas expostas ao sol do lado de fora, 90% das crianças e jovens asiáticos (incluindo China, Japão e Singapura) estão com altos graus de miopia. 

Ou seja, brincar é coisa séria e a educação não pode negligenciar isso.

4 razões para ensinar e aprender por meio da arte

Do que você se lembra quando te perguntam sobre a época da escola?

De questões de provas? Lições de casa? De acordo com a educadora Mariale Hardiman, com certeza não.

Ela defende que o que realmente marca nossa memória escolar são as horas lúdicas, onde aprendíamos através de música, arte e paródias.

Todo mundo tinha aquele professor que levava um violão para a sala de aula, criando paródias com os conteúdos, ou aquela “tia” que nos pedia para criar histórias divertidas sobre o que aprendemos, ou dava aquela dica de memorização inesquecível em forma de poesia ou rima.

Segundo Mariale, a importância de aprender pela arte de forma visual e performática é vista quando a integramos à outras matérias, pois a abordagem lúdica e desafiadora torna o aprendizado mais relevante para o jovem.

Para provar seu ponto, ela resolveu fazer uma pesquisa com uma equipe de alunos da universidade onde é reitora, a Johns Hopkins University School of Education. O estudo consistia numa seleção de 20 turmas da quinta série, divididas em dois estudos:

“Dividimos as vinte turmas em duas partes, uma seria designada à aprender ciências de forma integrada com a arte, e outra para aprender de forma convencional e tradicional. Ambas aprenderiam o mesmo conteúdo e fariam as mesmas avaliações finais, além de terem a mesma quantidade de horas para cada aula/atividade.”

O resultado foi exatamente o que Mariale e sua equipe esperavam: os alunos que mais memorizaram o conteúdo (principalmente os que tinham dificuldades com leitura e interpretação) foram os que estavam na parte da turma que aprendeu ciências integrada à arte (confira aqui a pesquisa, em inglês).

A partir destes resultados, podemos listar algumas observações importantes para levar conosco na luta por uma educação melhor:

Por que arte?

1) A arte melhora o engajamento e a atenção dos alunos, logo, é algo essencial no currículo da escola

2) É importante ter professores bem preparados, com suporte teórico e prático para ensinar de forma lúdica não só na aula de artes, mas em todas as disciplinas

3) O desenvolvimento cognitivo em crianças advém de interações sociais, com conhecimento contruído em conjunto com adultos que possam mostrar outros mundos à elas, segundo o psicólogo Lev Vygotsky (1896-1934). E nada mais social do que a própria arte!

4) Aliada à tecnologia, a arte pode se tornar uma experiência ainda mais transformadora, pois supre à necessidade de materiais de qualidade sobre o ensino da música

E você, também acha que a arte tem potencial para transformar a educação? 🙂

5 bons motivos para fazer uma especialização em tecnologia educacional

A professora Adriana Gandin trabalha em disciplinas de pós-graduação focadas em alunos que, em sua grande maioria, são professores que buscam uma experiência positiva com a tecnologia educacional para que possam coordenar projetos com recursos tecnológicos em seu dia a dia dentro da sala de aula.

Durante sua docência nas disciplinas “Planejamento e Avaliação Institucional e da Aprendizagem” e “Tecnologias da informação e da comunicação em educação”, Adriana percebeu que formar professores para a inserção de tecnologias digitais na sala de aula é um desafio para a educação no país – e uma necessidade.

Segundo ela, a maioria dos seus alunos-professores não se sentia a vontade com o mundo tecnológico que se apresenta. Porém, a docente sempre acreditou que é possível aproximar professores da tecnologia, pois não é só de discursos e leituras que vem o aprendizado.

1) Autoconfiança para lidar com a nova geração

Adriana percebeu que após pagarem suas disciplinas voltadas para tecnologia na educação, os alunos-professores desenvolveram um aposta mais segura e se sentiram animados e aptos a fazer suas próprias buscas de novas ferramentas tecnológicas, de forma que não pararam de se aperfeiçoar.

Dessa forma, eles se sentem mais encorajados a sustentar projetos, utilizar apps e sites em suas aulas, o que lhes aproximou dos seus alunos, já que os jovens de hoje são nativos digitais.

2) Democratização do aprendizado

Tornar a educação algo acessível para todos é uma gratificação enorme para os professores e, com a especialização em tecnologia, alguns alunos de Adriana vivenciaram essa realidade.

Uma de suas alunas afirmou que a tecnologia está propiciando aos educandos uma interação, uma troca de informações e gerando uma cooperação no momento em que se compartilha o conhecimento, até mesmo o conhecimento social e interacional.

3) Autonomia e novos horizontes na sala de aula

Com o conhecimento adequado das ferramentas de tecnologia educacional, o professor pode ter mais autonomia para inovar em suas aulas, sem depender somente de livros, criando novas possibilidades de aprendizado multimídia.

As oficinas e projetos da pós-graduação facilitam a promoção de atividades práticas e de novas vivências através de ferramentas da web, como sites e aplicativos. Tudo isso empodera o profissional e os faz reconhecer os recursos tecnológicos como aliados próprios e não inimigos de seu trabalho como docente.

4) Múltiplas ferramentas pedagógicas

Uma vez que o professor domina recursos e novas possibilidades de interação digital, sua aula fica ainda mais rica, indo além do quadro branco e apresentações de slides.  Pode parecer difícil, e a realidade é que muitos professores ainda não utilizam ferramentas tecnológicas por falta de conhecimento, mas depois que aprendem não deixam de usar.

A dica é dar-se uma chance de nunca parar de aprender e descobrir novas formar de compartilhar o conhecimento e vivenciá-lo na sala de aula.

5)  Construção coletiva e compartilhamento

A utilização de ferramentas tecnológicas com atividades práticas ajudam a capacitar mais facilmente os professores em formação. A vivências melhora, possibilitando comunicar, estudar, armazenar, compartilhar e agilizar o seu trabalho no dia a dia, indo além de apenas passar conteúdos. Essa comunicação integrada é uma facilitadora do conhecimento, que quando compartilhado facilita a vida de quem ensina e de quem aprende.

“Já é fato que o método tradicional está com os dias contados. É um processo sem volta. Educação e tecnologia estão cada vez mais unidas em prol do conhecimento e é fundamental que o educador também esteja sempre atualizado, não só em relação à tecnologia. No mundo globalizado, o conhecimento tem de ser multidisciplinar”. –Marise Bocchi

O que você acha de se especializar em tecnologia educacional?

Nós, da Escribo, estamos preparando uma iniciativa focada no uso de tecnologias educacionais na sala de aula. Você gostaria de fazer parte desse processo?

Adoraríamos ouvir de você, com comentários e sugestões de ementa! Para participar, basta deixar suas informações nesse formulário rápido e entraremos em contato com você em breve.

Até mais!