por Americo N. Amorim | fev 23, 2026 | Sem categoria
Ranking de alunos prejudica ou ajuda no aprendizado?
Por décadas, ouvimos nas faculdades de pedagogia e pós-graduações que não devemos criar rankings de alunos. A orientação sempre foi evitar comparações e não divulgar quem teve melhores resultados. Esse discurso se espalhou por secretarias de educação e escolas em todo o Brasil.
Mas será que essa orientação está correta? Será que ranquear os alunos realmente prejudica o aprendizado? E os estudantes com resultados mais fracos – eles se engajam mais ou menos quando veem seus resultados em um ranking?
O que a pesquisa científica descobriu
Pesquisadores ao redor do mundo têm estudado essa questão em ambientes online e offline. Um experimento recente trouxe resultados surpreendentes que desafiam o senso comum.
O estudo dividiu estudantes em dois grupos:
- Grupo 1: Recebeu feedback analítico com um leaderboard (quadro mostrando o ranking dos alunos)
- Grupo 2: Recebeu apenas o feedback analítico, sem o ranking
Qual grupo se engajou mais no aprendizado?
O resultado pode surpreender muitos educadores: o grupo que recebeu feedback analítico junto com o ranking se engajou mais na aprendizagem.
Isso significa que, ao contrário do que aprendemos por décadas, a visualização do ranking pode ser uma ferramenta motivadora para os estudantes.
E no contexto brasileiro?
É importante destacar que essa pesquisa foi realizada no ensino superior. Mas isso abre uma pergunta relevante para nossas escolas: que tal testarmos esse tipo de comparação também no ensino médio brasileiro? Ou até mesmo nos anos finais do ensino fundamental?
Cada contexto cultural e cada faixa etária podem apresentar resultados diferentes. Por isso, é fundamental que secretarias de educação e escolas brasileiras realizem seus próprios testes e avaliem os resultados em nossa realidade.
Repensando velhas práticas educacionais
É hora de questionar teorias antigas e ideias que nunca foram testadas adequadamente. A educação precisa se basear em evidências, não apenas em crenças que se perpetuaram ao longo do tempo.
Como gestores e educadores, devemos:
- Buscar as evidências científicas que estão sendo descobertas ao redor do mundo
- Testar essas práticas em nossa cultura e contexto
- Avaliar objetivamente se os resultados são melhores ou piores
- Tomar decisões pedagógicas baseadas em dados concretos
Pontos-Chave:
- Pesquisas recentes desafiam a crença de que rankings prejudicam o aprendizado
- Estudantes que receberam feedback com ranking se engajaram mais do que aqueles que receberam apenas feedback
- É necessário testar essas descobertas no contexto brasileiro, adaptando para diferentes níveis de ensino
- Decisões pedagógicas devem se basear em evidências científicas, não apenas em teorias antigas não testadas
- Cada escola e secretaria deve avaliar os resultados em seu próprio contexto antes de adotar ou rejeitar práticas
A educação baseada em evidências é o caminho para melhorarmos continuamente nossos resultados e oferecermos o melhor para nossos alunos. Questionar práticas estabelecidas com base em dados científicos não é desrespeitar a tradição pedagógica – é evoluir.
Américo é doutor em educação pela Johns Hopkins University. Pesquisador em educação, fundou a Escribo onde trabalha com as escolas para fortalecer o aprendizado das crianças.
por Americo N. Amorim | fev 21, 2026 | Sem categoria
Por que as mochilas dos alunos estão tão pesadas e o que a escola pode fazer?
Você já reparou no peso da mochila dos seus alunos? Muitas crianças carregam bolsas extremamente pesadas todos os dias, e isso tem gerado preocupação entre educadores, gestores e até vereadores em várias cidades do Brasil.
Recentemente, um vereador de Juiz de Fora propôs uma legislação para limitar o peso das mochilas escolares. A iniciativa, embora bem-intencionada, levanta uma questão importante: será que pesar mochilas resolve o problema real?
O verdadeiro problema das mochilas pesadas
O excesso de peso nas mochilas pode realmente causar problemas no desenvolvimento ósseo e muscular das crianças. Isso é um fato comprovado pela medicina e deve ser levado a sério por todas as instituições de ensino.
Mas a questão central não é apenas controlar o peso – é entender por que as mochilas estão tão pesadas.
A falta de organização escolar
Em muitas escolas, principalmente particulares, existe um problema estrutural que poderia ser facilmente resolvido: a falta de espaço adequado para que os alunos guardem seus materiais.
Mesmo quando a escola tem espaço disponível, algumas instituições optam por não organizar armários ou estantes para os estudantes. O resultado? Crianças precisam carregar todos os livros de todas as disciplinas, todos os dias, para frente e para trás.
Isso simplesmente não faz sentido do ponto de vista pedagógico nem de saúde.
Como sua escola pode resolver esse problema
A solução é mais simples do que parece e envolve mudanças na organização escolar:
1. Criar espaços de armazenamento
Organize armários, estantes ou gavetas onde os alunos possam guardar seus livros e materiais que não precisam ir para casa diariamente.
2. Repensar a rotina de estudos
Os estudantes não deveriam estudar todos os assuntos todos os dias. É fundamental construir uma rotina de estudo focada, onde apenas o material necessário para as atividades do dia vai para casa.
3. Manter livros em sala de aula
Idealmente, os livros deveriam ficar armazenados na escola. Somente o material específico necessário para as tarefas de casa deveria ser levado pelos alunos.
4. Planejar as tarefas de casa com intencionalidade
As atividades para casa devem ser planejadas de forma que os estudantes levem apenas o essencial, promovendo um estudo mais direcionado e eficiente.
Benefícios de implementar essas mudanças
- Saúde: Redução de problemas de coluna e desenvolvimento ósseo adequado
- Organização: Estudantes mais organizados e focados nos estudos
- Aprendizado: Rotina de estudos mais eficiente e direcionada
- Bem-estar: Menos cansaço físico e mais disposição para aprender
- Responsabilidade: Alunos aprendem a selecionar o que realmente precisam
Pontos-chave
- O peso excessivo das mochilas pode prejudicar o desenvolvimento ósseo e muscular das crianças
- O problema real não é apenas o peso, mas a falta de organização nas escolas
- Muitas escolas têm espaço disponível, mas não o utilizam para armazenamento de materiais dos alunos
- A solução envolve criar espaços de armazenamento adequados na escola
- Os estudantes não precisam (e não devem) carregar todos os livros todos os dias
- Uma rotina de estudos focada é mais eficiente do que estudar “tudo” todos os dias
- Livros podem e devem ficar armazenados na escola, indo para casa apenas o material necessário
Conclusão
Pesar mochilas pode chamar a atenção para o problema, mas não resolve a causa raiz. Como gestora ou professora, você tem o poder de implementar mudanças reais que vão impactar positivamente a saúde e o aprendizado dos seus alunos.
Organize espaços de armazenamento, repense a rotina de estudos e mantenha apenas o essencial circulando entre escola e casa. Seus alunos agradecerão – e suas colunas também!
Américo é doutor em educação pela Johns Hopkins University. Pesquisador em educação, fundou a Escribo onde trabalha com as escolas para fortalecer o aprendizado das crianças.
por Americo N. Amorim | fev 21, 2026 | Sem categoria
Sua escola alimenta ou prejudica?
Um projeto de lei em discussão propõe proibir a venda de alimentos nocivos nas escolas de educação infantil e ensino fundamental. Este artigo apresenta por que essa medida é fundamental para o desenvolvimento cognitivo, físico e emocional das crianças, e oferece um checklist prático para gestores escolares implementarem uma alimentação verdadeiramente saudável em suas instituições.
O problema que suas decisões alimentares criam
A alimentação oferecida dentro das escolas impacta diretamente o desenvolvimento cerebral, cognitivo, emocional, motor e físico das crianças. Quando permitimos ou oferecemos alimentos ultraprocessados, ricos em carboidratos refinados, corantes e substâncias nocivas, comprometemos três pilares fundamentais:
Primeiro: A saúde imediata e futura das crianças.
Segundo: O desenvolvimento adequado de suas capacidades físicas e cognitivas.
Terceiro: A capacidade de aprendizado e atenção em sala de aula.
Muitas escolas ainda vendem biscoitos recheados, bombons, refrigerantes e salgadinhos. Algumas redes de ensino compram esses produtos para a merenda escolar. Essa prática precisa ser revista urgentemente.
Por que a legislação federal deve interferir
Existe um argumento de que legislação federal não deveria interferir na operação de escolas privadas ou na gestão municipal e estadual da educação. Porém, quando se trata de saúde e desenvolvimento infantil, essa interferência é necessária e justificada.
A ciência é clara: alimentos ultraprocessados prejudicam o desenvolvimento das crianças. Não se trata de opinião pedagógica ou preferência metodológica. São evidências científicas robustas sobre nutrição e desenvolvimento infantil.
Proteger as crianças de alimentos nocivos durante o período escolar é responsabilidade coletiva, que transcende a autonomia administrativa de cada instituição.
Checklist para alimentação saudável na sua escola
Como gestor escolar ou secretário de educação, você pode implementar mudanças imediatas. Utilize este checklist como guia de ação:
1. Auditoria completa dos alimentos disponíveis
Faça um levantamento de todos os alimentos vendidos na cantina, oferecidos na merenda e permitidos dentro da escola. Identifique ultraprocessados, produtos com corantes artificiais, excesso de açúcar e sódio.
2. Proibição progressiva de alimentos nocivos
Estabeleça um cronograma para eliminar refrigerantes, biscoitos recheados, salgadinhos industrializados, bombons e produtos similares. Comece pelos mais prejudiciais e avance progressivamente.
3. Revisão dos contratos de merenda
Se sua escola compra merenda de fornecedores externos, revise os contratos. Exija cardápios baseados em alimentos naturais, com alta quantidade de proteínas e carboidratos saudáveis de vegetais e frutas.
4. Capacitação da equipe da cantina
Treine a equipe responsável pela alimentação sobre os impactos da nutrição no desenvolvimento infantil e no aprendizado. Eles precisam entender o “porquê” das mudanças.
5. Educação alimentar para famílias
Promova reuniões e materiais educativos explicando às famílias a relação entre alimentação, desenvolvimento cognitivo e aprendizado. Antecipe possíveis resistências com informação científica.
6. Alternativas saudáveis e atrativas
Substitua os ultraprocessados por opções saudáveis e saborosas: frutas frescas e secas, oleaginosas, sanduíches naturais, sucos integrais, bolos caseiros com ingredientes naturais, iogurtes sem corantes.
7. Política escolar de alimentação documentada
Crie um documento oficial estabelecendo a política alimentar da escola. Inclua os alimentos proibidos, os incentivados e a justificativa científica. Compartilhe com toda a comunidade escolar.
8. Monitoramento e ajustes
Acompanhe os resultados: aceitação das crianças, feedback das famílias, impactos observados em atenção e comportamento. Ajuste a estratégia conforme necessário.
A conexão entre alimentação e aprendizado
O cérebro em desenvolvimento precisa de nutrientes específicos para formar conexões neurais adequadas. Carboidratos refinados e açúcares causam picos de glicemia seguidos de quedas bruscas, prejudicando a concentração.
Corantes artificiais e aditivos químicos têm sido associados a problemas de atenção e hiperatividade. Proteínas são fundamentais para a produção de neurotransmissores essenciais ao aprendizado.
Quando oferecemos carboidratos saudáveis de vegetais e frutas, junto com proteínas de qualidade, fornecemos ao cérebro infantil exatamente o que ele precisa para aprender de forma eficaz.
Sua escola não pode ignorar essa conexão direta entre o que as crianças comem e o quanto elas aprendem.
Além da proibição: a compra consciente
Proibir a venda de alimentos nocivos é essencial, mas insuficiente. As secretarias de educação e escolas privadas precisam também parar de comprar porcarias para a merenda escolar.
Muitas instituições públicas adquirem produtos ultraprocessados por serem mais baratos ou terem logística facilitada. Essa escolha tem custo altíssimo no desenvolvimento das crianças.
Investir em alimentação de qualidade é investir diretamente em aprendizado, desenvolvimento cognitivo e saúde futura. O retorno sobre esse investimento aparece em crianças mais atentas, saudáveis e capazes de aprender.
Transformando evidências em decisões
A ciência da nutrição infantil produziu evidências robustas nas últimas décadas. Pesquisas em neurociência e psicologia cognitiva demonstram inequivocamente os impactos da alimentação no desenvolvimento cerebral.
Como gestores educacionais, precisamos transformar essas evidências científicas em decisões práticas dentro de nossas escolas. Não podemos ignorar o conhecimento disponível.
Uma escola comprometida com aprendizado de qualidade precisa estar comprometida também com alimentação de qualidade. As duas coisas são inseparáveis.
Pontos-Chave
• Alimentação escolar impacta diretamente desenvolvimento cognitivo e aprendizado: Alimentos ultraprocessados prejudicam saúde, desenvolvimento e capacidade de aprender.
• Legislação federal é necessária: Proteger crianças de alimentos nocivos transcende autonomia administrativa de instituições individuais.
• Proibir a venda não basta: Escolas e secretarias também precisam parar de comprar alimentos prejudiciais para a merenda.
• Implementação prática é possível: Use o checklist de 8 passos para transformar a alimentação na sua escola progressivamente.
• Priorize proteínas e carboidratos saudáveis: Ofereça alimentos naturais, vegetais, frutas e proteínas de qualidade.
• Educação da comunidade escolar é fundamental: Famílias e equipe precisam entender a conexão entre alimentação e aprendizado.
• Decisões baseadas em evidências: Neurociência e psicologia cognitiva fornecem orientações claras sobre nutrição infantil.
• Investimento com retorno garantido: Alimentação de qualidade gera crianças mais atentas, saudáveis e capazes de aprender melhor.
Américo é doutor em educação pela Johns Hopkins University. Pesquisador em educação, fundou a Escribo onde trabalha com as escolas para fortalecer o aprendizado das crianças.
por Americo N. Amorim | fev 20, 2026 | Sem categoria
Como ensinar matemática para crianças de forma divertida e sem trauma?
Muitas professoras e gestoras escolares se perguntam: como tornar a matemática mais atrativa para as crianças? Como evitar que os alunos desenvolvam medo ou rejeição aos números? A boa notícia é que existem estratégias comprovadas que transformam o ensino da matemática em uma experiência positiva e eficaz.
O problema da memorização tradicional
Quando colocamos uma criança sentada em uma cadeira apenas para decorar a tabuada, criamos uma experiência monótona e potencialmente traumática. Este método tradicional:
- Gera estresse e ansiedade nos alunos
- Não estimula a compreensão real dos conceitos matemáticos
- Pode criar bloqueios emocionais em relação à disciplina
- Limita o desenvolvimento do raciocínio lógico
Estratégias ativas de ensino de matemática
O segredo está em utilizar metodologias que envolvam a criança de forma ativa e multissensorial. Veja como isso funciona na prática:
Dinâmicas interativas e participativas
Ao invés da memorização passiva, promova atividades onde a criança:
- Fala e verbaliza os cálculos e raciocínios
- Escuta explicações e exemplos variados
- Lê as operações matemáticas em voz alta
- Responde ativamente às perguntas
- Participa de jogos e desafios matemáticos
Esse processo multissensorial reforça a capacidade natural de memorização da criança, tornando o aprendizado dos fatos matemáticos muito mais eficiente e prazeroso.
Por que essas estratégias funcionam melhor?
As metodologias ativas de ensino de matemática apresentam resultados superiores porque:
- Reduzem o estresse: A criança não sente pressão excessiva, mas sim engajamento
- Fortalecem a memória naturalmente: O cérebro retém melhor informações aprendidas de forma ativa e contextualizada
- Evitam traumas educacionais: Experiências positivas com a matemática constroem confiança
- Desenvolvem múltiplas habilidades: Além dos cálculos, a criança trabalha comunicação, raciocínio e colaboração
Implementando na sua escola ou sala de aula
Para gestoras escolares e professoras que desejam implementar essas estratégias, considere:
- Investir em materiais manipulativos para matemática
- Criar momentos de jogos matemáticos na rotina escolar
- Formar professores em metodologias ativas de ensino
- Valorizar o processo de aprendizagem, não apenas o resultado
- Estimular a verbalização do raciocínio matemático pelos alunos
O papel da família no aprendizado matemático
O incentivo ao gosto pela matemática não deve ficar restrito à escola. Pais e responsáveis podem:
- Incorporar a matemática em situações cotidianas (compras, receitas, jogos)
- Demonstrar curiosidade e interesse pelos números
- Evitar transmitir ansiedade ou medo em relação à disciplina
- Celebrar pequenos progressos e conquistas
- Buscar recursos lúdicos como jogos e aplicativos educativos
Pontos-chave para lembrar
- A memorização passiva da tabuada pode ser estressante e traumática para as crianças
- Estratégias ativas e multissensoriais fortalecem naturalmente a capacidade de memorização
- Dinâmicas que envolvem falar, ouvir, ler e responder tornam o aprendizado mais eficaz
- O ensino de matemática deve ser uma experiência positiva e envolvente
- Escola e família devem trabalhar juntas para cultivar o prazer pela matemática
E você, como educadora ou gestora escolar, que estratégias tem utilizado para tornar a matemática mais atrativa para suas crianças? Compartilhe sua experiência nos comentários!
Se este conteúdo foi útil para você, compartilhe com outras professoras, coordenadoras pedagógicas e gestoras escolares. Juntos, podemos transformar a relação das crianças com a matemática!
Américo é doutor em educação pela Johns Hopkins University. Pesquisador em educação, fundou a Escribo onde trabalha com as escolas para fortalecer o aprendizado das crianças.
por Americo N. Amorim | fev 19, 2026 | Sem categoria
Como tornar as crianças fluentes em matemática com exercícios simples e rápidos?
Muitas professoras e gestoras escolares se perguntam qual é o segredo para desenvolver a fluência matemática nas crianças sem gerar aversão à disciplina. A resposta pode ser mais simples do que você imagina: está na dosagem e na frequência dos exercícios.
Neste artigo, você vai descobrir como pequenas práticas diárias podem transformar a relação dos alunos com a matemática, tornando o aprendizado mais eficaz e prazeroso.
O segredo da fluência matemática: dosagem e frequência
Para que uma criança desenvolva fluência matemática, dois elementos são essenciais:
- Dosagem: a quantidade de tempo dedicada ao exercício (2 a 4 minutos)
- Frequência: a regularidade da prática (todos os dias)
O ideal é estabelecer um momento diário específico para a fluência matemática. Esse compromisso com a rotina é o que traz resultados consistentes e duradouros.
Por que menos tempo pode ser mais eficiente?
Você pode se surpreender, mas exercícios curtos de 2 a 4 minutos são mais eficazes do que sessões prolongadas. Veja por quê:
Ganhos de aprendizagem limitados: Quando você estende o tempo além dos 5 minutos, o ganho em termos de aprendizagem não aumenta proporcionalmente. Ou seja, mais tempo não significa necessariamente mais aprendizado.
Risco de aversão à matemática: Ficar repetindo o mesmo exercício de soma (ou qualquer operação) por muitos minutos seguidos é extremamente chato para as crianças. Isso pode criar uma associação negativa com a matemática, algo que queremos evitar a todo custo.
As crianças precisam de variedade
Assim como nós, adultos, as crianças gostam de alternância no ambiente, nas tarefas e nas atividades. Ninguém gosta de fazer a mesma coisa repetidamente por muito tempo.
Por isso, o exercício de fluência matemática deve ser:
- Curto e focado
- Variado em formato e apresentação
- Integrado à rotina de forma natural
- Realizado com consistência diária
Encontrando o equilíbrio perfeito
O sucesso está em encontrar o meio-termo: não pode ser demais e também não pode ser de menos.
Demais: Pode causar cansaço, tédio e aversão à disciplina.
De menos: Não desenvolve a fluência necessária para o domínio das operações básicas.
A prática diária de 2 a 4 minutos é o ponto ideal que equilibra desenvolvimento de habilidades com manutenção do interesse e motivação.
Como implementar na sua escola ou sala de aula
Para colocar essa estratégia em prática, siga estas orientações:
- Estabeleça um horário fixo: Escolha um momento do dia para ser o “momento da fluência matemática”
- Use um cronômetro: Respeite rigorosamente o tempo de 2 a 4 minutos
- Varie os exercícios: Alterne diferentes tipos de operações e formatos
- Mantenha a regularidade: Todos os dias, sem exceção
- Celebre o progresso: Reconheça os avanços das crianças para manter a motivação
Incentivando o gosto pela matemática
Além da prática regular e bem dosada, existem outras estratégias para cultivar o prazer pela matemática nas crianças:
- Relacione a matemática com situações do cotidiano
- Use jogos e atividades lúdicas
- Valorize o processo, não apenas o resultado correto
- Crie um ambiente sem pressão excessiva
- Demonstre entusiasmo pela disciplina
Pontos-Chave:
- A fluência matemática se desenvolve com dosagem correta (2-4 minutos) e frequência diária
- Exercícios muito longos não aumentam proporcionalmente o aprendizado
- Repetição excessiva pode criar aversão à matemática
- Crianças precisam de variedade e alternância nas atividades
- O equilíbrio entre “não demais” e “não de menos” é essencial
- A consistência diária é mais importante que sessões longas esporádicas
- Motivação e prazer são tão importantes quanto a prática técnica
E você, como incentiva o gosto pela matemática nas crianças da sua escola ou sala de aula? Compartilhe sua experiência nos comentários!
Américo é doutor em educação pela Johns Hopkins University. Pesquisador em educação, fundou a Escribo onde trabalha com as escolas para fortalecer o aprendizado das crianças.
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