Desenvolver a consciência fonológica na infância é essencial

Desenvolver a consciência fonológica na infância é essencial

Na língua portuguesa, também existe uma conexão entre as habilidades de fala e os conhecimentos da escrita. Segundo o doutor Americo Amorim, desenvolver a consciência fonológica na infância é indispensável. Essa é uma das evidências reveladas pela pesquisa do Alexandre Lucas de Araújo Barbosa, da UFRN.

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Essa é a parte final da conversa com o Lucas. Nos próximos dias, retomamos com novas entrevistas em vídeos exclusivos, com foco principal no papel das evidências científicas nas inovações pelo aprendizado. Siga o nosso Blog tocando no sininho ao lado para ler nosso conteúdo assim que estiverem disponíveis. Um abraço!

Evidências sobre fonemas: como colocá-las em prática e seu papel na alfabetização

Evidências sobre fonemas: como colocá-las em prática e seu papel na alfabetização

Neste post, discutimos como pesquisas e evidências científicas podem trazer benefícios práticos para o ensino de fonemas a crianças – inclusive, as que têm distúrbios de leitura como a dislexia. Esta é a segunda parte da entrevista com o Alexandre Lucas de Araújo Barbosa, mestre em Fonoaudiologia especializado em Linguagem pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

Lucas coordena um grupo de pesquisa que estuda a importância do desenvolvimento da oralidade para o aprendizado de leitura e escrita. Conversamos com ele no SSSR 2019, evento em Toronto, no Canadá, que reuniu educadores do mundo todo.

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No próximo vídeo, farei comentários sobre a importância dos resultados observados pelo Lucas e o impacto para as pesquisas em consciência fonológica. Acompanhe o Blog da Escribo, toque no sininho ao lado e assine as notificações para receber nosso conteúdo em primeira mão. Até mais!

Evidências do papel dos fonemas no ensino de crianças

Evidências do papel dos fonemas no ensino de crianças

Desenvolver a leitura e a escrita de uma criança depende muito do quanto ela aprende sobre o som das letras – os fonemas. Quem traz essa evidência científica é o Alexandre Lucas de Araújo Barbosa, mestre em Fonoaudiologia especializado em Linguagem pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

Lucas é um dos pesquisadores do Laboratório de Linguagem Escrita, Interdisciplinaridade e Aprendizagem (LEIA), que entre outros tópicos estuda também a importância do desenvolvimento da oralidade para o aprendizado de leitura e escrita. Conversamos com ele no SSSR 2019, evento alfabetização no Canadá com especialistas do mundo todo.

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No próximo vídeo, no Blog da Escribo vamos falar sobre como a pesquisa do Lucas foi posta em prática e de que forma vem refletindo na educação das crianças que ele acompanha. Toque no sininho ao lado e assine as notificações para ficar por dentro das principais novidades. Até mais!

Prof: Catherine Snow: como levar a teoria para a sala de aula de forma pedagógica?

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Um dos principais desafios para a educação de crianças está na prática: como podemos tirar do papel estratégias e ações pedagógicas que já sabemos ser eficazes? É o que questiona a professora de Harvard, Catherine Snow, referência no ensino de leitura e escrita. Ela conversou com a Escribo na SSSR 2019, congresso internacional sobre estudos de alfabetização que aconteceu em Toronto, no Canadá, de 17 a 20 de julho de 2019. Confira a segunda parte da entrevista a seguir!

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Acompanhe as próximas entrevistas em primeira mão assinando as notificações do Blog da Escribo, no sininho ao lado. Até a próxima!

Conheça a nossa Revista da Escola, Professor, Educação e Tecnologia

Conheça a nossa Revista da Escola, Professor, Educação e Tecnologia

É com orgulho que anunciamos a chegada da Revista da Escola, Professor, Educação e Tecnologia! Lançada em maio de 2019, a Revista é especializada na divulgação de artigos científicos sobre processos de aprendizagem, inovações educacionais, jogos educativos e o papel deles no aprendizado das crianças da educação infantil e do ensino fundamental. O primeiro volume já está no ar.

Com uma linguagem acessível a todos, publicamos pesquisas e sínteses de evidências científicas sobre o aprendizado disponíveis nos mais prestigiados periódicos científicos do mundo, que antes não eram lidas no Brasil por serem em inglês e usarem termos muito técnicos.

Assim, a nova geração de educadores cursando licenciaturas, pedagogia, psicologia cognitiva e áreas afins têm acesso facilitado a uma bibliografia atualizada através da nossa Revista. Dessa forma, buscamos oferecer o estado da arte das pesquisas de diversas disciplinas que se relacionam com o campo da educação e do aprendizado, especialmente a neurociência, psicologia, computação, design e educação.

Fique à vontade para “folhear” os conteúdos, citar os artigos na sua pesquisa ou até mesmo submeter a sua própria produção. Acesse a Revista da Escola, Professor, Educação e Tecnologia em escribo.com/revista. 😉

Artigo: Desenvolvimento cognitivo, Vygotsky e o aprendizado na alfabetização.

Artigo: Desenvolvimento cognitivo, Vygotsky e o aprendizado na alfabetização.

Olá, pessoal, tudo bem?

Hoje, a gente traz mais um artigo cheio de insights e com diferentes perspectivas sobre o crescimento e o aprendizado. Ele também faz parte de uma série de textos que produzi no meu doutorado na Johns Hopkins University. Boa leitura!

Pontos principais
Pais: proponham sempre novos desafios para que sua criança adquira novas habilidades.
Gestores: é importante que os gestores tenham informações atualizadas e claras sobre como está o desenvolvimento de cada uma das suas turmas, nos objetivos de aprendizagem da BNCC.
Professores: identificar as habilidades que os alunos já possuem e sempre propor novos desafios para que eles possam desenvolver novas experiências e conhecimentos

Uma visão geral da Teoria Cognitiva

As teorias cognitivas surgiram quando os pesquisadores behavioristas passaram a ter problemas por não conseguirem explicar todas as ações dos humanos, que são seres complexos [1]. A perspectiva cognitiva entende que os humanos não são apenas entidades que respondem ao ambiente (visão behaviorista). Para as teorias cognitivas, nós humanos agimos para atingir nossos objetivos e, para isso, buscamos informações ativamente.

A visão da ação cognitiva também se aplica a crianças, e as entende como aprendizes que são capazes de definir seus objetivos, planejar suas ações e revisar seus conhecimentos. Ou seja, as crianças criam buscam e organizam seus conhecimentos e artefatos.

Dentro desta perspectiva, o comportamento humano não é atribuído a causas internas, como afirma a teoria psicodinâmica e de traços. As pessoas são movidas por estímulos ambientais, fatores pessoais e fatores comportamentais. Nossas ações surgem a partir da interação entre estes três tipos de estímulos, sintetizados no modelo que foi chamado pelo pesquisador Albert Bandura de reciprocidade triádica.

Várias abordagens teóricas foram desenvolvidas com base na perspectiva cognitiva para explicar e prever o comportamento humano e a aprendizagem. As teorias de processamento de informações são bons exemplos.

Teorias cognitivas

Para explicar como as pessoas aprendem, as teorias cognitivas usam conceitos como atenção, percepção, memória de curto e longo prazo, modelo de memória de dois armazenamentos, níveis de profundidade de processamento e nível de ativação [3].

Uma parte importante do aprendizado é a capacidade do indivíduo de monitorar seus esforços cognitivos, incluindo memória e compreensão. Tais habilidades afetam como ele conduz suas ações para completar seus objetivos, com base no conhecimento metacognitivo (aprender sobre como ele aprende) e experiências anteriores [4].

Conhecimento já adquirido e experiências prévias também influenciam a capacidade de resolução de problemas do estudante. Nesse sentido, crianças que vivenciaram mais experiências e já acumularam uma base maior de conhecimento tendem a ter uma maior capacidade para resolver problemas do que outras da mesma idade, por estar em uma zona de desenvolvimento proximal diferente [5].

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A zona de desenvolvimento proximal de Lev Vygotsky

A zona de desenvolvimento proximal é um conceito interessante para o estudo das habilidades de leitura e escrita. Nela, o educador precisa descobrir a capacidade atual do aluno (por exemplo, ler palavra por palavra) e então supor os níveis mais altos de tarefas que ele conseguirá realizar sob orientação (por exemplo, ler pequenas frases). Essa é a zona de desenvolvimento proximal, a faixa de atividades que podem ser feitas e que serão úteis para o estudante para avançar no aprendizado [6].

Assim, os designers instrucionais, os (as) educadores (as) que criam jogos didáticos, currículos e sequências didáticas devem ter como objetivo permitir que o aluno alcance os níveis superiores da sua zona de desenvolvimento proximal, para que, sob orientação, cumpra as tarefas mais desafiadoras de que é capaz. “À medida que uma nova habilidade ou conceito é dominado, o que uma criança um dia pode fazer apenas com assistência, logo se torna seu nível de desempenho independente” [7].

Quando isso acontece, significa que a zona de desenvolvimento proximal da criança se deslocou para cima e, nesse caso, o processo é reiniciado com o (a) professor(a) propondo um desafio mais alto para que a criança se esforce e avance para o seu próximo nível.

Esse processo ocorre desde cedo, quando os (as) cuidadores (as) “direcionam a atenção das crianças para pontos críticos dos acontecimentos, comentam sobre aspectos que devem ser observados pelas crianças” e, de maneira geral, ajudam as crianças a estruturar e compreender as informações que estão recebendo do ambiente que as rodeia [1].

É importante notar que o desenvolvimento do aluno não deve depender apenas do que o (a) professor (a) determina. O aluno deve se tornar capaz de liderar seu aprendizado.

Por isso, é essencial incentivar as habilidades metacognitivas em que o estudante começa a refletir sobre o que ele faz para aprender e os resultados que está obtendo. Aprender a aprender é um processo muito importante, que deve ser estimulado pelos professores (as) e famílias [1].

Teorias cognitivas na alfabetização

Infelizmente, a maioria dos estudantes das escolas brasileiras não atinge as metas de aprendizado de leitura e escrita até o 3º ano (período oficial da alfabetização). A perspectiva cognitiva pode fornecer informações valiosas para entender e atuar sobre esse problema. Usando o conceito de zona de desenvolvimento proximal, podemos dividir esse desafio em dois momentos.

O primeiro deles é a zona de desenvolvimento proximal das crianças antes de entrar na escola, desenvolvida nos primeiros anos por suas interações com familiares e cuidadores. Esse é um conceito importante para a avaliação do aproveitamento do aluno na alfabetização porque se relaciona diretamente com a zona de desenvolvimento proximal em potencial no final da terceira série.

Se o aluno entrar na escola com fortes habilidades linguísticas (por exemplo, vocabulário amplo), ele provavelmente vai atingir as metas de aprendizado. Uma prática interessante que pais, cuidadores e educadores de creches podem implementar para fortalecer a zona de desenvolvimento proximal crianças é chamada de escrita assistida (scaffolded writing).

Na escrita assistida, as crianças são orientadas a pensar e planejar o que irão escrever, depois desenham e só então escrevem. A etapa final pode ocorrer com vários tipos de escrita, como na escrita espontânea. Esta prática foi avaliada em diversas pesquisas como bastante efetiva no desenvolvimento da capacidade de leitura e escrita.

No entanto, os estudantes que chegam a escola com uma zona de desenvolvimento proximal menos desenvolvida terão que passar por um processo de aprendizado mais intensivo, a fim de alcançar as metas de aprendizado até a terceira série. Isso provavelmente envolverá vários ciclos de aprendizado para elevar a sua zona de desenvolvimento até um nível similar a dos alunos que já entraram na escola com habilidades mais desenvolvidas e mais experiências prévias.

Próximos passos

A partir dos conceitos citados, podemos argumentar que o (a) professor (a) precisa descobrir a zona de desenvolvimento proximal de seus alunos logo no começo das aulas. Se um aluno exibir um desenvolvimento abaixo do esperado, o (a) professor (a) terá que criar uma sequência de desenvolvimento específica para esse aluno.

Para alcançar o sucesso, essa trajetória de aprendizado pode exigir diferentes estratégias, incluindo algumas táticas metacognitivas, como parafrasear os outros e ensaiar o que irá falar [3]. No entanto, nas escolas do mundo real, os (as) educadores (as) enfrentam múltiplos desafios.

Embora muitas práticas e sugestões oferecidas pelas abordagens cognitivas possam auxiliar estudantes e professores (as), muitas delas não são fáceis de implementar. Na maioria das vezes, pelo menos no Brasil, um professor tem que trabalhar com 15, 20 e até 30 alunos em uma aula, sem assistente.

Se considerarmos a educação tradicional [8], em que uma sala de aula padrão é composta de cadeiras, mesas, quadro negro e o professor, pode-se argumentar que oferecer uma educação personalizada é um desafio colossal, provavelmente impossível.

No entanto, é importante notar que não apenas estudantes e adultos podem servir como assistentes. Os celulares e tablets também podem ajudar a desenvolver a zona de desenvolvimento proximal usando aplicativos especialmente desenvolvidos para esses empreendimentos.

As práticas metacognitivas orientaram o desenvolvimento de alguns desses aplicativos, ajudando o aluno a compreender seus próprios passos no processo de aprendizagem, promovendo a autonomia.

Associadas a técnicas avaliativas, tais abordagens podem proporcionar experiências metacognitivas que impulsionam a motivação e a autoeficácia. Há casos em que o uso de aplicativos para auxiliar os alunos dentro de sua zona de desenvolvimento proximal, com estratégias metacognitivas, foi capaz de fortalecer a leitura e a escrita [9].

Outro exemplo de tecnologia de sucesso no processo de aprendizado de leitura e escrita é o aplicativo Escribo Play. Em uma pesquisa experimental de grande porte (disponível aqui), com 749 crianças, foi identificado que as turmas que utilizam os jogos deste aplicativo fortalecem o aprendizado de leitura em 68% e o de escrita em 48%.

Referências

[1] Bransford, J. D., Brown, A. L., & Cocking, R. R. (1999). How people learn: Brain, mind, experience, and school. National Academy Press.

[2] Bandura, A. (1986). Social foundations of thought and action: A social cognitive theory. Prentice-Hall.

[3] Schunk, D. H. (2012). Information processing system. In Learning theories: An educational perspective. Upper Saddle River, NJ: Pearson.

[4] Flavell, J. H. (1979). Metacognition and cognitive monitoring: A new area of cognitive–developmental inquiry. American psychologist, 34(10), 906.

[5] Vygotsky, L., Hanfmann, E., & Vakar, G. (2012). Thought and language. MIT press.

[6] Moll, L. C. (2014). LS Vygotsky and education. Routledge.

[7] Leong, D. (1998). Scaffolding emergent writing in the zone of proximal development. Literacy, 3(2), 1.

[8] Freire, P. (2000). Pedagogy of the oppressed. Bloomsbury Publishing.

[9] Salomon, G., Globerson, T., & Guterman, E. (1989). The computer as a zone of proximal development: Internalizing reading-related metacognitions from a Reading Partner. JournalofEducationalPsychology, 81(4), 620.