Ranking de alunos prejudica ou ajuda no aprendizado?

Por décadas, ouvimos nas faculdades de pedagogia e pós-graduações que não devemos criar rankings de alunos. A orientação sempre foi evitar comparações e não divulgar quem teve melhores resultados. Esse discurso se espalhou por secretarias de educação e escolas em todo o Brasil.

Mas será que essa orientação está correta? Será que ranquear os alunos realmente prejudica o aprendizado? E os estudantes com resultados mais fracos – eles se engajam mais ou menos quando veem seus resultados em um ranking?

O que a pesquisa científica descobriu

Pesquisadores ao redor do mundo têm estudado essa questão em ambientes online e offline. Um experimento recente trouxe resultados surpreendentes que desafiam o senso comum.

O estudo dividiu estudantes em dois grupos:

  • Grupo 1: Recebeu feedback analítico com um leaderboard (quadro mostrando o ranking dos alunos)
  • Grupo 2: Recebeu apenas o feedback analítico, sem o ranking

Qual grupo se engajou mais no aprendizado?

O resultado pode surpreender muitos educadores: o grupo que recebeu feedback analítico junto com o ranking se engajou mais na aprendizagem.

Isso significa que, ao contrário do que aprendemos por décadas, a visualização do ranking pode ser uma ferramenta motivadora para os estudantes.

E no contexto brasileiro?

É importante destacar que essa pesquisa foi realizada no ensino superior. Mas isso abre uma pergunta relevante para nossas escolas: que tal testarmos esse tipo de comparação também no ensino médio brasileiro? Ou até mesmo nos anos finais do ensino fundamental?

Cada contexto cultural e cada faixa etária podem apresentar resultados diferentes. Por isso, é fundamental que secretarias de educação e escolas brasileiras realizem seus próprios testes e avaliem os resultados em nossa realidade.

Repensando velhas práticas educacionais

É hora de questionar teorias antigas e ideias que nunca foram testadas adequadamente. A educação precisa se basear em evidências, não apenas em crenças que se perpetuaram ao longo do tempo.

Como gestores e educadores, devemos:

  1. Buscar as evidências científicas que estão sendo descobertas ao redor do mundo
  2. Testar essas práticas em nossa cultura e contexto
  3. Avaliar objetivamente se os resultados são melhores ou piores
  4. Tomar decisões pedagógicas baseadas em dados concretos

Pontos-Chave:

  • Pesquisas recentes desafiam a crença de que rankings prejudicam o aprendizado
  • Estudantes que receberam feedback com ranking se engajaram mais do que aqueles que receberam apenas feedback
  • É necessário testar essas descobertas no contexto brasileiro, adaptando para diferentes níveis de ensino
  • Decisões pedagógicas devem se basear em evidências científicas, não apenas em teorias antigas não testadas
  • Cada escola e secretaria deve avaliar os resultados em seu próprio contexto antes de adotar ou rejeitar práticas

A educação baseada em evidências é o caminho para melhorarmos continuamente nossos resultados e oferecermos o melhor para nossos alunos. Questionar práticas estabelecidas com base em dados científicos não é desrespeitar a tradição pedagógica – é evoluir.