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Despejar textos em alguns slides no PowerPoint. Usá-los como um roteiro que dê sequência às aulas enquanto você fala. Ler o que está escrito no slide no decorrer da aula. Essa fórmula simples e usada por muitos professores não é nada efetiva. Na verdade, a maioria dos alunos não estará aprendendo nada com ela.

É isso que afirma a professora Mary Jo Madda. Segundo ela, os erros mais cometidos pelos professores ao produzirem apresentações de slides (independente da disciplina) é o excesso de carga cognitiva, ou seja, muitas informações para o estudante processar de uma vez só e a redundância ao passar a mensagem. Entenda:

Sobrecarga cognitiva

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O segredo para entender o que é a sobrecarga cognitiva é imaginar o cérebro do seu aluno como um container. Quanto mais pedras você vai jogando para preenchê-lo, mais pesado o container fica. Logo, mais difícil para o aluno carregá-lo. Basicamente, é assim que funciona o que Mary chama de “carga cognitiva”: ou seja, a capacidade do seu cérebro trabalhar a memória, suportá-la e enfim processá-la em pequenos pedaços de informação.

Como seres humanos, temos uma capacidade limitada de memorizar informações. Quando precisamos lidar com informações de muitas maneiras e vindas de muitos lugares, nossa carga cognitiva fica muito pesada e difícil de lidar. Na sala de aula, a carga cognitiva de um estudante é afetada diretamente pela origem da informação – ou seja, a forma com que ela é passada para ele.

Todo professor, instintivamente, sabe que existem meios bons e ruins de apresentar o conteúdo. Isso acontece, dizem as pesquisas, devido à consciência de que quando a carga de conteúdos é mais leve, fica mais fácil para o estudante capturar a informação e memorizá-la. Dar uma aula baseada em textos dispostos em slides do PowerPoint enquanto os lê, infelizmente, é uma forma de colocar muitas pedras no container do aluno – e causar uma regressão em seu aprendizado.

O efeito da redundância

Uma pesquisa feita na Austrália em 1999 concluiu que a ,b>utilização de palavras nos slides (como estímulo visual) durante uma apresentação oral (que já utiliza palavras por si só) aumenta a carga cognitiva em vez de diminuí-la, visto que a  mesma informação vem de meios diferentes ao mesmo tempo, causando efeito negativo na aprendizagem e sobrecarregando o estudante.

Mary usa como exemplo uma aula de ciências para crianças, cujo conteúdo é cadeias alimentares. A medida que um slide aparece com a definição de cada termo, o professor começa a ler sequencialmente a definição que está ali. A duplicação da informação em meios diferentes – fala e escrita – não vai endossar positivamente uma a outra, mas sobrecarregar as habilidades do estudante em absorver aquela informação devido ao excesso.

Como aliviar a carga cognitiva

Para evitar os erros acima, a professora dá as seguintes recomendações para suas próximas apresentações:

1. Efetivar a sua oralidade

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Quando o discurso chama a atenção do jeito certo, o aluno estará focando exatamente no que você quer passar, sem precisar desviar a atenção para outros meios. Assim, seu cérebro não fica saturado e a energia gasta no aprendizado é otimizada.

2. Aprenda o “princípio de personalização”

Esse princípio, desenvolvido na teoria de ensino multimídia, visa engajar o estudante repassando os conteúdos em tom de conversação. Esse agente pedagógico aumenta o foco do aluno, aumentando seu rendimento. Por exemplo: Usar exemplos do dia a dia e usar muitos “eus” e “vocês” para criar uma relação menos hostil entre educador e educando, visto que estes se identificam mais com a comunicação informal.

3. Elimine o máximo de elementos textuais

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O ideal é ter os tópicos na memória e falá-los, compartilhando apenas imagens ou gráficos com os alunos. Richard Mayer, neurocirurgião e autor do livro “Multimedia Learning (Aprendizado Multimídia)” afirma ser mais efetivo utilizar imagens como conceitos-chave nos slides do que textos como palavras-chave. Por exemplo: mostrar imagens da dentição de um leão em comparação com a de uma zebra, para explanar a diferença entre carnívoros e herbívoros.

4. Se for usar palavras, limite-se à uma por slide.

Caso esteja definindo conceitos ou termologias, tente colocar a palavra associada à um conjunto de imagens, estimulando a dedução dos alunos.

Quais são as ferramentas que você utiliza para otimizar o aprendizado audiovisual em sala de aula?